<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Cirurgia Metabólica</title>
	<atom:link href="https://cirurgiametabolica.plino.pt/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt</link>
	<description>Cirurgia Metabólica</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Jan 2024 10:30:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.3</generator>

<image>
	<url>https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/favicon-cm1.svg</url>
	<title>Cirurgia Metabólica</title>
	<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Cirurgia metabólica: será segura?</title>
		<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt/cirurgia-metabolica-sera-segura/</link>
					<comments>https://cirurgiametabolica.plino.pt/cirurgia-metabolica-sera-segura/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 19:24:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cirurgiametabolica.plino.pt/?p=282</guid>

					<description><![CDATA[Hoje em dia, as cirurgias são realizadas através de pequenas incisões na pele, por onde são introduzidos os instrumentos de trabalho e uma pequena câmara de vídeo, que permitem completar todo o procedimento com uma excelente visualização de todos os órgãos e a realização de procedimentos muito complexos. Esta tecnologia (laparoscopia) assegura a diminuição da agressão ao organismo, a diminuição dos riscos associados à cirurgia e um rápido regresso à vida ativa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Um dos receios mais frequentes dos doentes com obesidade é acerca da segurança e complicações da cirurgia metabólica. Apesar da cirurgia ser um tratamento radical, as técnicas de mini-invasão e os protocolos de recuperação rápida permitem uma cirurgia com elevado perfil de segurança e rápida recuperação funcional.</strong></p>



<p>Hoje em dia, as cirurgias são realizadas através de pequenas incisões na pele, por onde são introduzidos os instrumentos de trabalho e uma pequena câmara de vídeo, que permitem completar todo o procedimento com uma excelente visualização de todos os órgãos e a realização de procedimentos muito complexos. Esta tecnologia (laparoscopia) assegura a diminuição da agressão ao organismo, a diminuição dos riscos associados à cirurgia e um rápido regresso à vida ativa.</p>



<p>As principais complicações decorrentes do ato cirúrgico são raras (&lt;2%) e incluem: hemorragias, tromboses ou infeções intra-abdominais. A maioria pode ser minimizada utilizando uma técnica cirúrgica cuidada e efetuando as necessárias profilaxias (prevenções) de infeção e trombose.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="913" src="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-mart-production-8433480-1024x913.jpg" alt="" class="wp-image-270" style="width:867px;height:auto" srcset="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-mart-production-8433480-1024x913.jpg 1024w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-mart-production-8433480-300x268.jpg 300w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-mart-production-8433480-768x685.jpg 768w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-mart-production-8433480.jpg 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>&nbsp;</strong>A diferenciação dos cirurgiões e de toda a equipa envolvida nestas cirurgias, a organização em centros de tratamento dedicados, e a evolução tecnológica fazem com que, atualmente, a cirurgia seja extraordinariamente segura. Comparando com outros riscos do dia a dia, pode-se dizer que a probabilidade de morrer após a cirurgia bariátrica é mais baixa do que num acidente de viação e apenas ligeiramente superior ao risco por queda em escadas.</p>



<p>Por outro lado, a obesidade está associada a doenças em praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo humano: diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, doença cardíaca, doença vascular cerebral, diversos tipos de cancro, etc. Está associada a cerca de 20% de todas as mortes e a mais de 10% de todos os gastos em saúde. O excesso de peso é o principal fator associado à perda de anos de vida saudável em Portugal. Um doente obeso tem um risco de morte cerca de duas vezes superior e pode ter uma esperança de vida reduzida em 10 anos.</p>



<p>A Medicina continua a procurar soluções para a epidemia global da obesidade e todas as semanas surgem novos tratamentos “revolucionários”. Infelizmente, a maioria não é capaz de produzir perdas de peso substanciais e duradouras. A opção por métodos pouco eficazes ou a ausência de terapêutica também acarretam riscos associados à progressão da doença.</p>



<p>A cirurgia metabólica é a solução mais eficaz para a obesidade grave ou resistente. Os seus benefícios são impressionantes e é o único tratamento que demonstra uma redução da probabilidade de morte por outras causas (de até 90%). Existe uma elevada taxa de controlo ou reversão da maioria das doenças associadas à obesidade, a incidência de diversos tipos de cancro é reduzida para menos de metade e a progressão para diabetes reduz cerca de 90%. A mortalidade específica também diminui significativamente para doenças como o cancro, diabetes e doença cardíaca.</p>



<p>Podemos então concluir que, embora haja um pequeno risco associado a um tratamento cirúrgico, os benefícios conseguidos pela cirurgia são infinitamente maiores, evitando a progressão da própria doença.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cirurgiametabolica.plino.pt/cirurgia-metabolica-sera-segura/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual a melhor época para fazer uma cirurgia metabólica?</title>
		<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt/qual-a-melhor-epoca-para-fazer-uma-cirurgia-metabolica/</link>
					<comments>https://cirurgiametabolica.plino.pt/qual-a-melhor-epoca-para-fazer-uma-cirurgia-metabolica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 19:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cirurgiametabolica.plino.pt/?p=265</guid>

					<description><![CDATA[Artigo de opinião de Gil Faria, cirurgião especialista em Cirurgia da Obesidade e Metabolismo, coordenador dos Centros de Tratamento da Obesidade do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Grupo Trofa Saúde. Professor da FMUP e investigador clínico na área da Cirurgia Metabólica e Obesidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Artigo de opinião de Gil Faria, cirurgião especialista em Cirurgia da Obesidade e Metabolismo, coordenador dos Centros de Tratamento da Obesidade do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Grupo Trofa Saúde. Professor da FMUP e investigador clínico na área da Cirurgia Metabólica e Obesidade</p>



<p>A Inês sempre sonhou em retomar o controlo da sua qualidade de vida e do seu peso. Após anos de luta contra a obesidade, decidiu que a cirurgia metabólica seria a chave para uma mudança de vida.</p>



<p>O Rafael tem diabetes e apneia do sono. Há vários anos que pensa na possibilidade de controlar as suas doenças e recuperar a qualidade de vida perdida. Depois de ter recorrido a várias especialidades médicas, percebeu que a cirurgia metabólica poderia ser a solução para melhorar a sua saúde.</p>



<p>Apesar de estarem decididos e motivados para este procedimento, ambos se começaram a questionar sobre qual seria a melhor altura do ano para realizar uma cirurgia metabólica.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-shvets-production-6975481-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-275" srcset="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-shvets-production-6975481-1024x683.jpg 1024w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-shvets-production-6975481-300x200.jpg 300w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-shvets-production-6975481-768x513.jpg 768w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-shvets-production-6975481.jpg 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A escolha da época para a cirurgia metabólica é um dilema comum entre as pessoas que consideram esta opção. Muitos se perguntam sobre quando será a melhor estação do ano para ser submetido a uma intervenção médica. Alguns têm receio de ser operados em épocas de frio ou calor extremos, devido ao risco de desconforto no pós-operatório. Acresce ainda que o calor extremo aumenta a probabilidade de infeções das feridas cirúrgicas e o frio aumenta o sedentarismo (logo, o risco de tromboses venosas). No entanto, a realização das cirurgias por via laparoscópica, com baixa agressão cirúrgica e recuperações mais rápidas, atenua estas situações.</p>



<p>Um dos principais fatores a considerar é a condição de saúde dos pacientes. Muito mais importante do que a estação do ano, é a condição física de quem vai ser submetido a cirurgia. É essencial não ter infeções ativas, evitar fumar e beber nos dias antes do procedimento e estar em condições de retomar uma vida ativa o mais precocemente possível.</p>



<p>Outra consideração prática importante é o tempo de recuperação pós-cirúrgica. A recuperação bem-sucedida exige um ambiente de pós-operatório calmo, tranquilo e com disponibilidade para o autocuidado. Optar por momentos em que podem tirar uma licença do trabalho ou ter menos compromissos pessoais, pode ser uma decisão racional.</p>



<p>Em última análise, o timing ideal para a cirurgia metabólica é uma decisão complexa, multifacetada e individual. Para alguns, a primavera pode representar um renascimento físico e emocional, enquanto outros podem preferir o aconchego do outono para iniciar essa nova fase das suas vidas. Alguns preferem o inverno, para chegarem ao verão completamente transformados; enquanto outros preferem o verão, para poderem ter uma vida mais ativa logo após a intervenção cirúrgica.</p>



<p>Cada indivíduo é único e o crucial é garantir que no pós-operatório terá toda a assistência médica e emocional para o ajudar a atravessar esse período sem sobressaltos. A escolha deve ser personalizada, levando em consideração as necessidades e circunstâncias individuais. A comunicação aberta com a equipa de médicos é fundamental para tomar uma decisão informada, consciente e alinhar expetativas.</p>



<p>A Inês e o Rafael decidiram ser operados… o mais rápido possível. Não vale a pena procurar um momento ideal. A melhoria da qualidade de vida trazida pela cirurgia metabólica faz com que cada dia de espera seja um dia em demasia!</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cirurgiametabolica.plino.pt/qual-a-melhor-epoca-para-fazer-uma-cirurgia-metabolica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>II Congresso de Obesidade</title>
		<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt/ii-congresso-de-obesidade/</link>
					<comments>https://cirurgiametabolica.plino.pt/ii-congresso-de-obesidade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 19:02:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cirurgiametabolica.plino.pt/?p=260</guid>

					<description><![CDATA[À semelhança da sua primeira edição, este evento, organizado pelo Prof. Doutor Gil Faria, tem como foco principal a multidisciplinariedade na abordagem da Obesidade, promovendo a partilha de conhecimentos e a discussão de temáticas de elevada pertinência para toda a comunidade médica e científica.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Auditório do Trofa Saúde Hospital Central</p>



<p>Reserve os dias 1 e 2 de março, sexta e sábado, na sua agenda para participar no II Congresso de Obesidade.</p>



<p>À semelhança da sua primeira edição, este evento, organizado pelo Prof. Doutor Gil Faria, tem como foco principal a multidisciplinariedade na abordagem da Obesidade, promovendo a partilha de conhecimentos e a discussão de temáticas de elevada pertinência para toda a comunidade médica e científica.</p>



<p>SAVE THE DATE 1 e 2 MARÇO 2024<br>Trofa Saúde Hospital Central, em Vila do Conde<br>Profissionais de Saúde</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm-1024x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-261" style="width:399px;height:auto" srcset="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm-1024x1024.jpeg 1024w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm-300x300.jpeg 300w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm-150x150.jpeg 150w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm-768x768.jpeg 768w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/banner-trofa-saude-cm.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Inscrições em breve!<br>Esteja atento:&nbsp;<a href="http://www.trofasaude.pt/eventos/ii-congresso-obesidade" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.trofasaude.pt/eventos/ii-congresso-obesidade</a></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cirurgiametabolica.plino.pt/ii-congresso-de-obesidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A indústria alimentar no desenvolvimento da obesidade?</title>
		<link>https://cirurgiametabolica.plino.pt/a-industria-alimentar-no-desenvolvimento-da-obesidade/</link>
					<comments>https://cirurgiametabolica.plino.pt/a-industria-alimentar-no-desenvolvimento-da-obesidade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 18:55:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cirurgiametabolica.plino.pt/?p=255</guid>

					<description><![CDATA[O apetite humano por proteínas, a palatabilidade, a conveniência e disponibilidade das comidas ultraprocessadas e o poderoso marketing utilizado pela indústria alimentar são alguns dos aspetos mais determinantes no que diz respeito ao risco de obesidade que assistimos no mundo ocidental.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Gil Faria, cirurgião especialista em Cirurgia da Obesidade e Metabolismo; coordenador dos Centros de Tratamento da Obesidade do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos e do Grupo Trofa Saúde; professor da FMUP; investigador clínico na área da Cirurgia Metabólica e Obesidade</strong></p>



<p>O apetite humano por proteínas, a palatabilidade, a conveniência e disponibilidade das comidas ultraprocessadas e o poderoso marketing utilizado pela indústria alimentar são alguns dos aspetos mais determinantes no que diz respeito ao risco de obesidade que assistimos no mundo ocidental.</p>



<p>Durante o século XX, os padrões de alimentação nos países desenvolvidos alteraram-se de forma substancial, como resultado do crescimento económico exponencial, da globalização e de grandes alterações no estilo de vida das populações. Importantes avanços tecnológicos na indústria alimentar, uma cadeia de distribuição global e um poderosíssimo marketing para promover produtos alimentares levaram ao aumento do consumo de comida pronta a comer e ultraprocessada.</p>



<p>A dieta tradicional, baseada em alimentos minimamente processados e cozinhados em casa, tem sido cada vez mais substituída por alternativas processadas industrialmente e produtos prontos a comer. Nos EUA, o consumo de comida ultraprocessada é responsável por mais de 60% de todas as calorias ingeridas e em países como a Alemanha ou a Holanda, esse valor aproxima-se dos 80%.</p>



<p>Simultaneamente, tem havido um aumento global da obesidade, o que leva diversos estudiosos a propor a existência de uma relação direta entre a alimentação ultraprocessada e o desenvolvimento desta doença. Esta associação tem sido encontrada em alguns países, embora ainda esteja por comprovar o seu nexo de causalidade. A hipótese mais comum é a de que o aumento do consumo de comida ultraprocessada compromete a qualidade nutricional da dieta e aumenta o risco de obesidade. Alguns estudos concluíram que quanto maior a compra e/ou o consumo de alimentos ultraprocessados, maior o risco de desenvolvimento da obesidade.</p>



<p>A dieta ultraprocessada, habitualmente, inclui ingredientes utilizados no processamento da comida, tais como óleos hidrogenados, xarope de milho, emulsificantes e edulcorantes. São, normalmente, mais económicas e práticas, mas têm quase sempre uma maior quantidade de gordura, hidratos de carbono, sal e calorias. As comidas ultraprocessadas extraem alguns componentes dos alimentos &#8216;integrais&#8217; e alteram-nos com processos químicos ou aditivos, de forma a obter o produto final. Caracteristicamente são produzidas para serem baratas, saborosas e convenientes. Alguns exemplos destes alimentos são refrigerantes, doces, snacks ou pastelaria embalada, produtos prontos a aquecer ou derivados de carne processada.</p>



<p>Um estudo americano, promovido pelo NIH (National Institute of Health), comparou dois grupos de pessoas saudáveis uns a comer dieta ultraprocessada e outros minimamente processada. As refeições oferecidas aos participantes tinham a mesma quantidade de calorias, açúcar, fibra, gordura e hidratos de carbono, mas os participantes podiam escolher qual a quantidade que lhes apetecia comer. O grupo de pessoas da dieta ultraprocessada ingeriu, em média, mais 500kcal/dia, essencialmente à custa de maior quantidade de hidratos de carbono e gordura. Sob esta dieta, os participantes também comiam mais depressa e aumentaram rapidamente de peso. A dieta minimamente processada, apesar de mais saudável, obrigava a maior perda de tempo, quer na preparação, quer na alimentação em si. Assim, e num mundo cada vez mais frenético como o que vivemos atualmente, o tempo para preparar e comer uma refeição torna-se, cada vez mais, valioso.</p>



<p>Os mecanismos de saciedade estão mais relacionados com o volume ingerido do que com a densidade energética dos alimentos. Assim, ao serem energeticamente mais densos (com mais calorias/g), os alimentos ultraprocessados levam, de forma inconsciente, a um maior consumo energético. Por outro lado, a presença de hidratos de carbono refinados vai estimular a produção de insulina, que promove a deposição do excesso de energia sob a forma de tecido adiposo. De igual modo, o elevado conteúdo de açúcares e gorduras, ao mesmo tempo que torna os alimentos mais saborosos, também altera os mecanismos de recompensa cerebral, levando a comportamentos do tipo &#8216;aditivo&#8217;&nbsp;e a hiperfagia (aumento do consumo alimentar). As poderosas campanhas de marketing deste tipo de alimentos e o aumento gradual das porções contidas em cada embalagem também estimulam, de forma autónoma, o hiperconsumo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-yaroslav-shuraev-8851929-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-279" srcset="https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-yaroslav-shuraev-8851929-1024x683.jpg 1024w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-yaroslav-shuraev-8851929-300x200.jpg 300w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-yaroslav-shuraev-8851929-768x512.jpg 768w, https://cirurgiametabolica.plino.pt/wp-content/uploads/2024/01/pexels-yaroslav-shuraev-8851929.jpg 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Outra teoria com grande aceitação no meio académico sugere que o organismo humano tem uma necessidade preferencial de proteínas. Dado que os alimentos ultraprocessados têm densidades proteicas mais baixas, isto vai promover o aumento do consumo de calorias até satisfazer a necessidade do organismo. A espécie humana, como muitas outras, tem um apetite preferencial para proteínas e ao diluirmos a densidade proteica dos alimentos acabamos por consumir mais energia para conseguir obter a proteína necessária.</p>



<p>As proteínas são os blocos de construção de todas as células humanas e, como tal, são absolutamente fundamentais para a sobrevivência do organismo. Alguns estudos também concluíram que a alimentação rica em proteínas, desde a primeira refeição que ingerimos, está associada a uma diminuição do consumo calórico total durante todo o dia.</p>



<p>A conveniência dos produtos ultraprocessados e a sua facilidade em serem comprados e consumidos também estimula a alteração dos padrões clássicos de alimentação, aumentando o consumo de snacks e a alimentação não exclusiva (ex.: comer a ver televisão). Este padrão alimentar não consequente está associado a comer mais rapidamente e de forma desatenta, de tal forma que não conseguem ser adequadamente produzidos e interpretados os sinais biológicos de controlo do apetite e da saciedade.</p>



<p>A obesidade é, indiscutivelmente, uma doença multifatorial e diversos elementos contribuem para o seu desenvolvimento. Os padrões alimentares, os níveis de atividade física, uma série de traços genéticos, a presença de poluentes orgânicos, a higiene do sono, o microbioma e muitos outros fatores conduzem ao desenvolvimento desta doença. No entanto, o apetite humano por proteínas, a palatabilidade, a conveniência e disponibilidade das comidas ultraprocessadas e o poderoso marketing utilizado pela indústria alimentar são alguns dos aspetos mais determinantes no que ao aumento das calorias ingeridas diz respeito e, consequentemente, do risco de obesidade que assistimos no mundo ocidental.</p>



<p>Por tudo isto, a indústria alimentar tem de estar consciente destas associações entre os alimentos ultraprocessados e a obesidade. Além de um problema importante de saúde pública, são cada vez mais estudados os mecanismos que levam ao desenvolvimento da obesidade e a sociedade está, nos dias de hoje, mais alerta do que nunca para os comportamentos e consumos de risco. Assim, é importante aumentar a oferta de produtos orgânicos, integrais e mais saudáveis, de forma a contribuir para uma população mais sadia e com maior longevidade.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cirurgiametabolica.plino.pt/a-industria-alimentar-no-desenvolvimento-da-obesidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
